O projeto CONCRETO
CONCRETO ARMADO ou A imanente liberdade dos pardais é o 5º livro autoral de Tadeu Marcato. A proposta é uma edição e distribuição independentes, com liberdade de criar e circular e, para tanto, conta com seu apoio para se concretizar.
Informações e acompanhamento das ações: tadeumarcato.blogspot.com
* Apresentação por Henrique Pitt
O Tadeu Marcato é um ser de Araraquara-SP, o que já diz muito sobre sobre o seu ser filosófico-brasileiro, visto que este é um país espiritualmente interiorano (profundo), mas de vivência majoritariamente urbana desde meados do século XX.
Quando digo que diz muito é porque o Tadeu possui um olhar específico da rua, e por rua entenda-se a pedra, o asfalto, o concreto, as paredes, as tintas, as sujeiras, as cores, os becos, as possibilidades, enfim, a pólis. Pólis, aliás, enquanto conceito aristotélico, é o locus de encontro do ser humano, que supostamente é político, ou seja, é onde este peculiar ser se aglomera por sua necessidade natural de ser coletivo, e a partir de então exercer as diversas propostas políticas para o coletivo, é aí que se dividem os cidadãos, que participam ativamente da vida política da pólis, e os habitantes, que simplesmente vivem na pólis.
Nada disso tem a ver com o livro do Tadeu, a não ser pelo fato de que, pelo ponto de vista particular que ele possui, esta pólis mostra-se armada. Armada, pelo viés capitalista, por ser construída (materialmente) pelo concreto trabalho explorado o qual é coagido pela própria obra, e também armada, outra vez pelo viés capitalista, pelo armamento de violência que cada vez mais enche os bolsos da sociedade, exclusivamente, de medo e morte. Uma armação.
O Tadeu, poeticamente, aponta para tudo isso. Mas vai além, pois há um apontamento também existencial. De certa forma, ele faz um despretensioso reparo teórico e histórico ao conceito de pólis, pois o que se pode dizer do pardal, que usa sua imanente liberdade de voar para pousar nos ambientes urbano-humanos?
Por que nossos voos continuam alçando progressos às paredes de concreto, às armações metálicas, aos chãos asfaltados, aos banheiros químicos, ao pó, que já não mais significa a humildade do pó? A poesia do Tadeu Marcato nos leva a voos nessas direções. São voos vertiginosos, e de pousar em fios elétricos para admirar as supremas obras da humanidade: as solidões da pólis e seus concretos armados.
Ficha técnica:
Edição: Henrique Pitt
Foto da capa: Paulo Lorenzetti
Capa: Henrique Pitt e Dani Raphael
Prefácio: Flavia Marquetti
Texto de orelha: Henrique Pitt
Produção: Tania Capel
Editora: Poesofia crônica
Livro: 100 páginas, 20x20, papel pólen 90g.
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